RESOLUÇÃO TSE Nº 23.190



Resolução N° 23.190

INSTRUÇÃO N° 127 - CLASSE 198 - BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL.

Relator: Ministro Arnaldo Versiani.

Interessado: Tribunal Superior Eleitoral.

Dispõe sobre pesquisas eleitorais (Eleições de 2010).

O Tribunal Superior Eleitoral, usando das atribuições que lhe
conferem o art. 23, inciso IX, do Código Eleitoral e o art. 105 da Lei nº 9.504,
de 30 de setembro de 1997, resolve expedir a seguinte instrução:

CAPÍTULO I

DISPOSISÕES PRELIMINARES

Art. 1° A partir de 1° de janeiro de 2010, as entidades e
empresas que realizarem pesquisas de opinião pública relativas às eleições ou
aos candidatos, para conhecimento público, são obrigadas, para cada
pesquisa, a registrar no tribunal eleitoral ao qual compete fazer o registro dos
candidatos, com no mínimo 5 dias de antecedência da divulgação, as seguintes
informações (Lei nº 9.504/97, art. 33, I a VII, e § 1°):
I - quem contratou a pesquisa;
II - valor e origem dos recursos despendidos no trabalho;
III - metodologia e período de realização da pesquisa;
IV - plano amostrai e ponderação quanto a sexo, idade, grau
de instrução e nível econômico do entrevistado; área física de realização do
trabalho, intervalo de confiança e margem de erro;
V - sistema interno de controle e verificação, conferência e
fiscalização da coleta de dados e do trabalho de campo;
VI - questionário completo aplicado ou a ser aplicado;
VII - nome de quem pagou pela realização do trabalho;
VIII - contrato social, estatuto social ou inscrição como
empresário, que comprove o regular registro da empresa, com a qualificação
completa dos responsáveis legais, razão social ou denominação, número de
inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), endereço, número
de fac-símile em que receberão notificações e comunicados da Justiça
Eleitoral;
IX - nome do estatístico responsável pela pesquisa - e o
número de seu registro no competente Conselho Regional de Estatística -, que
assinará o plano amostrai de que trata o inciso IV retro e rubricará todas as
folhas (Decreto nº 62.497/68, art. 11);
X - número do registro da empresa responsável pela pesquisa
no Conselho Regional de Estatística, caso o tenham.
§ 1° Até 24 horas contadas da divulgação do respectivo
resultado, o pedido de registro será complementado pela entrega dos dados
relativos aos municípios e bairros abrangidos pela pesquisa; na ausência de
delimitação do bairro, será identificada a área em que foi realizada a pesquisa.
§ 2° O arquivamento da documentação a que se refere o
inciso VIII deste artigo, na secretaria judiciária do tribunal eleitoral competente,
dispensa a sua apresentação a cada pedido de registro de pesquisa, sendo,
entretanto, obrigatória a informação de qualquer alteração superveniente.
§ 3° As entidades e empresas deverão informar, no ato do
registro, o valor de mercado das pesquisas que realizarão por iniciativa própria.
Art. 2° A contagem do prazo de que cuida o caput do art. 1°
desta resolução far-se-á excluindo o dia de começo e incluindo o do
vencimento (Código de Processo Civil, art. 184).
Parágrafo único. Os pedidos de registro enviados após às
19 horas ou, no período eleitoral, após o horário de encerramento do protocolo
geral do tribunal eleitoral competente, serão considerados como enviados no
dia seguinte.
Art. 3° A partir de 5 de julho de 2010, das pesquisas realizadas
mediante apresentação da relação de candidatos ao entrevistado, deverá
constar o nome de todos aqueles que tenham solicitado registro de
candidatura.

CAPÍTULO II

DO REGISTRO DAS PESQUISAS ELEITORAIS

Seção I

Do Sistema Informatizado de Registro de Pesquisas Eleitorais

Art. 4° Para o registro de que trata o art. 1° desta resolução,
deverá ser utilizado o Sistema Informatizado de Registro de Pesquisas
Eleitorais disponível nos sítios dos tribunais eleitorais.
§ 1° Para a utilização do sistema as entidades e empresas
deverão cadastrar-se por meio eletrônico, não permitido mais de um registro
por número de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ),
sendo elementos obrigatórios do cadastro o nome dos responsáveis legais,
razão social ou denominação, número de inscrição no CNPJ, endereço e
número de fac-símile em que poderão receber notificações.
§ 2° É de inteira responsabilidade da empresa ou entidade a
manutenção de dados atualizados perante a Justiça Eleitoral.
§ 3° O sistema possibilitará o cadastro prévio dos dados pela
entidade ou empresa e gerará o documento que deverá ser protocolado
perante a Justiça Eleitoral.
§ 4° Para verificação de atendimento aos prazos estabelecidos
nesta resolução, as secretarias judiciárias observarão, exclusivamente, a data
e horário de protocolo da documentação entregue em meio impresso.
Art. 5° As informações e dados registrados no sistema serão
colocados à disposição, pelo prazo de 30 dias, no sítio do respectivo tribunal
(Lei nº 9.504/97, art. 33, § 2°).

Seção II

Do Processamento do Registro das Pesquisas Eleitorais

Art. 6° O pedido de registro de pesquisa deverá ser dirigido:
I - ao Tribunal Superior Eleitoral, na eleição presidencial;
II - aos tribunais regionais eleitorais, nas eleições federais e
estaduais.
Art. 7° O pedido de registro, gerado pelo sistema informatizado
de que trata o art. 4° desta resolução, poderá ser enviado por fac-símile,
ficando dispensado o encaminhamento do documento original.
Parágrafo único. O envio do requerimento por fac-símile e sua
tempestividade serão de inteira responsabilidade do remetente, correndo por
sua conta e risco eventuais defeitos.
Art. 8° Apresentada a documentação a que se refere o art. 1°
desta resolução, a secretaria judiciária do tribunal eleitoral competente
receberá o pedido de registro como expediente, devidamente protocolado sob
número, que será obrigatoriamente consignado na oportunidade da divulgação
dos resultados da pesquisa.
Parágrafo único. Não deverão ser juntadas aos autos folhas de
fac-símile impressas em papel térmico, devendo a secretaria judiciária, nessa
hipótese, providenciar cópia para fins de juntada.
Art. 9° Caberá às secretarias judiciárias, no prazo de 24 horas
contadas do recebimento, conferir toda a documentação e afixar, em local
previamente reservado para este fim, bem como divulgar no sitio do tribunal
eleitoral na internet, aviso comunicando o registro das informações
apresentadas, colocando-as à disposição dos partidos políticos ou coligações
com candidatos ao pleito, os quais a elas terão livre acesso pelo prazo de 30
dias (Lei nº 9.504/97, art. 33, § 2°).
§ 1° Constatada a ausência de quaisquer das informações
exigidas no art. 1° desta resolução, a secretaria judiciária notificará o
requerente para regularizar a respectiva documentação, em até 48 horas.
§ 2° Transcorrido o prazo de que trata o parágrafo anterior,
sem que a entidade ou empresa regularize o pedido de registro, será a
pesquisa declarada insubsistente.

Seção III

Da Divulgação dos Resultados

Art. 10. Na divulgação dos resultados de pesquisas, atuais ou
não, serão obrigatoriamente informados:
I - o período de realização da coleta de dados;
II - a margem de erro;
III - o número de entrevistas;
IV - o nome da entidade ou empresa que a realizou, e, se for o
caso, de quem a contratou;
V - o número do processo de registro da pesquisa.
Art. 11. As pesquisas realizadas em data anterior ao dia das
eleições poderão ser divulgadas a qualquer momento, inclusive no dia das
eleições (Constituição Federal, art. 220, § 1°).
Art. 12. A divulgação de levantamento de intenção de voto
efetivado no dia das eleições far-se-á da seguinte forma:
a) nas eleições relativas à escolha de deputados estaduais e
federais, senador e governador, uma vez encerrado o escrutínio na respectiva
unidade da Federação;
b) na eleição para a Presidência da República, tão logo
encerrado, em todo o território nacional, o pleito.
Art. 13. Mediante requerimento ao tribunal eleitoral
competente, os partidos políticos poderão ter acesso ao sistema interno de
controle, verificação e fiscalização da coleta de dados das entidades e das
empresas que divulgaram pesquisas de opinião relativas aos candidatos e às
eleições, incluídos os referentes à identificação dos entrevistadores e, por meio
de escolha livre e aleatória de planilhas individuais, mapas ou equivalentes,
confrontar e conferir os dados publicados, preservada a identidade dos
entrevistados (Lei nº 9.504/97, art. 34, § 1°).
Parágrafo único. Além dos dados de que trata o caput, poderá
o interessado ter acesso ao relatório entregue ao solicitante da pesquisa e ao
modelo do questionário aplicado para facilitar a conferência das informações
divulgadas.
Art. 14. Na divulgação de pesquisas no horário eleitoral
gratuito devem ser informados, com clareza, o período de sua realização e a
margem de erro, não sendo obrigatória a menção aos concorrentes, desde que
o modo de apresentação dos resultados não induza o eleitor a erro quanto ao
desempenho do candidato em relação aos demais.

Seção IV

Das Impugnações

Art. 15. O Ministério Público Eleitoral, os candidatos e os
partidos políticos ou coligações estão legitimados para impugnar o registro e/ou
divulgação de pesquisas eleitorais perante o tribunal competente, quando não
atendidas as exigências contidas nesta resolução e no art. 33 da Lei nº 9.504/97.
Art. 16. Havendo impugnação, o pedido de registro será
autuado como representação e distribuído a um relator que notificará
imediatamente o representado, por fac-símile, para apresentar defesa em 48
horas (Lei nº 9.504/97, art. 96, caput e § 5°).
Parágrafo único. Considerando a relevância do direito
invocado e a possibilidade de prejuízo de difícil reparação, o relator poderá
determinar a suspensão da divulgação dos resultados da pesquisa impugnada
ou a inclusão de esclarecimento na divulgação de seus resultados.

CAPÍTULO III

DA PENALIDADE ADMINISTRATIVA

Art. 17. A divulgação de pesquisa sem o prévio registro das
informações constantes do art. 10 desta resolução sujeita os responsáveis à
multa no valor de R$ 53.205,00 (cinqüenta e três mil duzentos e cinco reais) a
R$ 106.410,00 (cento e seis mil quatrocentos e dez reais) (Lei nº 9.504/97,
art. 33, § 3°).

CAPÍTULO IV

DAS DISPOSIÇÕES PENAIS

Art. 18. A divulgação de pesquisa fraudulenta constitui crime,
punível com detenção de 6 meses a 1 ano e multa no valor de
R$ 53.205,00 (cinqüenta e três mil duzentos e cinco reais) a R$ 106.410,00
(cento e seis mil quatrocentos e dez reais) (Lei nº 9.504/97, art. 33, § 4°).
Art. 19. O não cumprimento do disposto no art. 13 desta
resolução ou qualquer ato que vise a retardar, impedir ou dificultar a ação
fiscalizadora dos partidos políticos constitui crime, punível com detenção de 6
meses a 1 ano, com a alternativa de prestação de serviços à comunidade pelo
mesmo prazo, e multa no valor de R$ 10.641,00 (dez mil seiscentos e quarenta
e um reais) a R$ 21.282,00 (vinte e um mil duzentos e oitenta e dois reais) (Lei
nº 9.504/97, art. 34, § 2°).
Parágrafo único. A comprovação de irregularidade nos dados
publicados sujeita os responsáveis às penas mencionadas no caput, sem
prejuízo da obrigatoriedade da veiculação dos dados corretos no mesmo
espaço, local, horário, página, caracteres e outros elementos de destaque, de
acordo com o veículo usado (Lei nº 9.504/97, art. 34, § 3°).
Art. 20. Pelos crimes definidos nos arts. 17 e 18 desta
resolução, serão responsabilizados penalmente os representantes legais da
empresa ou entidade de pesquisa e do órgão veiculador (Lei nº 9.504/97,
art. 35).

CAPÍTULO V

DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 21. Na divulgação dos resultados de enquetes ou
sondagens, deverá ser informado não se tratar de pesquisa eleitoral, descrita
no art. 33 da Lei nº 9.504/97, mas de mero levantamento de opiniões, sem
controle de amostra, o qual não utiliza método científico para sua realização,
dependendo, apenas, da participação espontânea do interessado.
Parágrafo único. A divulgação de resultados de enquetes ou
sondagens sem o esclarecimento previsto no caput será considerada
divulgação de pesquisa eleitoral sem registro, autorizando a aplicação das
sanções previstas nesta resolução.
Art. 22. Esta resolução entra em vigor na data de sua
publicação.

Brasília, 16 de dezembro de 2009.

CARLOS AYRES BRITTO - PRESIDENTE
ARNALDO VERSIANI - RELATOR
RICARDO LEWANDOWSKI
CÁRMEN LÚCIA
FELIX FISCHER
FERNANDO GONÇALVES
MARCELO RIBEIRO