Como estamos ensinando estatí­stica aos jornalistas?

O ensino da estatí­stica para estatí­sticos e não-estatí­sticos: como anda o aprendizado?

Moderador: DSFontes

Jornalista da Folha de SPaulo irrita estatí­sticos

Mensagempor DSFontes » Sex Set 05, 2008 7:58 pm

Os artigos mencionados pelo Hajime são muito bacanas. A quem ainda não leu, recomendo.

Vou comentar outro assunto que foi alvo de crí­ticas dos estatí­sticos: o artigo escrito pelo jornalista Cláudio Ângelo ( http://bali40graus.folha.sites.uol.com.br/perfil.html ), editor de Ciência da Folha de S.Paulo.

O artigo, publicado em 25/08/2008 - 15h18 (também na mí­dia impressa), entitulado "Estatí­stico tenta convencer o mundo a não combater o efeito estufa" ( http://www1.folha.uol.com.br/folha/ambi ... 7615.shtml ) critica o cientista polí­tico Bjørn Lomborg pelo seu ponto de vista sobre as novas teorias do Aquecimento Global.

Todo mundo sabe que esse tema é polêmico e Lomborg não é o único a criticar o que, supostamente, a maioria dos ambientalistas e seus simpatizantes dizem concordar: que o mundo está aquecendo, que devemos controlar a emissão de carbono (CO2), que devemos cuidar mais do meio-ambiente, reciclar etc etc etc.

Ambos os lados usam e abusam de dados estatí­sticos, fazem crí­ticas e travam brigas apaixonadas em nível mundial.

25/08/2008 - 15h18
Estatí­stico tenta convencer o mundo a não combater o efeito estufa

CLAUDIO ANGELO
editor de Ciência da Folha de S.Paulo

Em um evento recente em São Paulo, um jornalista perguntou a Bjorn Lomborg por que ele insiste em dizer que o combate ao aquecimento global é economicamente inviável. Afinal, o IPCC (o painel do clima da ONU) já mostrou que um corte de gás carbônico maior que a meta do Protocolo de Kyoto pode ser feito a custo zero.

O estatí­stico dinamarquês, um dos mais ilustres céticos da mudança climática, respondeu que não acreditava nesse tipo de conta. "Se é tão barato, por que ninguém está fazendo?"

No segundo parágrafo de seu livro "Cool It - Muita Calma Nessa Hora!", recém-lançado no Brasil (Campus/Elsevier, 224 págs., R$ 59,90), Lomborg parece cair ví­tima do próprio argumento. Diz que a "histeria e o gasto desenfreado" com programas "extravagantes" de corte de CO2 são uma escolha questionável num mundo em que "milhões morrem de doenças tratáveis e onde é possível salvar vidas, fortalecer a sociedade e melhorar o meio ambiente por uma fração do custo". Ora, é caso de perguntar: se é tão barato, por que ninguém está fazendo?

Esse tropeço na lógica é só o aperitivo do que aguarda o leitor que for buscar em "Cool It" um antí­doto saudável contra a suposta histeria ambientalista. Ele encontrará um malabarismo com números que dá razão à máxima de Benjamin Disraeli sobre os três tipos de mentira: há as mentiras, as mentiras deslavadas e as estatí­sticas.

Lomborg ganhou projeção mundial em 2001, com o livro "O Ambientalista Cético". Na obra, de 515 páginas e 2.930 notas de rodapé, o dinamarquês abusa das estatí­sticas para argumentar que a Terra não está atravessando uma crise ambiental e chama o alarmismo ambientalista de "Ladainha".

Em "Cool It", o "cético" centra fogo no tema da mudança climática, batendo na mesma tecla: o custo trilionário de cortar emissões não vale o benefí­cio pequeno de um mundo "ligeiramente" menos quente no futuro. Como os recursos financeiros do planeta são limitados, melhor aplicá-los em coisas que salvarão mais vidas e tornarão a sociedade mais rica, como o combate à Aids.

Para provar sua tese, Lomborg recorre aos mesmos velhos truques: afogar o leitor com números e notas de rodapé (aqui são "apenas" 607), selecionar cuidadosamente as evidências e passar de contrabando uma série de falácias argumentativas em meio a um ou outro ponto razoável.

Urso-de-batalha

Um exemplo é o caso dos ursos-polares. Segundo
o autor, o corte de emissões de gases-estufa salvaria 0,06 urso por ano --é o total de declí­nio da espécie que poderia hoje ser atribuí­do à mudança climática. Por outro lado, 49 ursos são mortos a tiros todo ano.

Conclusão: se quisermos ajudar os ursos, devemos parar de atirar neles em vez de gastar trilhões de dólares para cortar os gases que causam o degelo do Ártico.

A proposta faz pleno sentido. A menos, claro, que se considere que um eventual degelo total no futuro acabaria com os ursos de qualquer maneira, tornando inútil a economia de balas. Espertamente, Lomborg omite a projeção de futuro.

Em outras passagens, o autor seleciona projeções do IPCC para estendê-las ao absurdo. O degelo acelerado do Himalaia, por exemplo, é apresentado como uma coisa boa, porque, afinal, aumentará a quantidade de água disponível no verão para a China e a Índia antes que os glaciares que alimentam os rios asiáticos se acabem. "Assim, (...) boa parte do mundo poderá usar mais água durante mais de cinqüenta anos."

Adiante, numa cena de circularidade explí­cita, Lomborg primeiro nega que a mudança climática vá causar o enfraquecimento da corrente do Golfo, algo que faria a Europa mergulhar numa era glacial. Mas, se isso acontecesse, seria uma "vantagem": afinal, com o aquecimento global a Europa ficaria mais quente, não é? Pois então: com a corrente do Golfo mais fraca, a Europa ficaria menos quente. Portanto, seguindo esse raciocí­nio, o melhor remédio contra o aquecimento global é o próprio aquecimento global (!).

Lomborg ataca, corretamente, os custos altos e os benefí­cios pífios de Kyoto na redução das temperaturas no século 21. Segundo suas contas, Kyoto adiaria a catástrofe em apenas sete dias.

Mas aí­ ele estende a crí­tica a qualquer outro acordo futuro que aumente os benefí­cios ao reduzir mais estritamente as temperaturas no fim do século. Pior, argumenta que o corte radical de emissões ceifará 3% do PIB mundial por ano até 2030, quando o IPCC diz que esse será o gasto máximo total no período.

A fúria estatí­stica boboca de Lomborg deixa a questão de 1 trilhão de dólares sem resposta: por que, afinal, ninguém está fazendo nada para salvar o planeta investindo em polí­ticas sociais, como ele sugere?

Um cí­nico diria que, na área social assim como no clima, corrigir distorções de mercado ("fazer o bem", nas palavras do autor) requer um bom dedo de regulação. Palavra que não agrada ao público fiel que o dinamarquês tem em Washington --e que a ele recorre sempre que precisa de uma desculpa sexy para poluir à vontade.




Em diferentes listas e ocasiões, alguns estatí­sticos reclamaram um pedido de desculpas do jornalista após duras crí­ticas ao seu estilo um tanto quanto truculento de falar da estatí­stica. E, da forma como identificou o cientista polí­tico Lomborg, anunciando-o como "o estatí­stico dinamarquês", e o fato de ter usado a famosa frase de Disraeli, é normal que pensemos que o jornalista não gosta de estatí­stica -- tampouco de estatí­sticos.

Polêmicas à parte, enviei ao jornalista uma mensagem reclamando como ele nos tratou e pedindo uma retratação pública.

Veremos como ele responderá........ se é que ele vai.

Cópia da mensagem enviada:


From: info conre3 <info@conre3.org.br>
Date: 2008/9/5
Subject: Artigo irrita classe dos estatí­sticos
To: cmonteiro@folhasp.com.br
Cc: André Arantes <andre@camargoarantes.adv.br>


Prezado Cláudio Ângelo:

Em recente artigo seu, "Estatí­stico tenta convencer o mundo a não combater o efeito estufa" (http://www1.folha.uol.com.br/folha/ambi ... 7615.shtml), o tom que você usa para criticar Bjørn Lomborg acaba, de carona, denigrindo a imagem dos estatí­sticos.

Para começar, Bjørn Lomborg é Cientista Polí­tico, e não um estatí­stico (vide site pessoal dele). O que você poderia ter feito é ter concluí­do que, fosse ele um verdadeiro estatí­stico, talvez não tivesse chegado às mesmas conclusões após analisar números coletados de tantas fontes diversas. Gostaria de destacar que todas as análises feitas contra ou a favor das novas teorias sobre as mudanças climáticas, se forem feitas com forte inclinação polí­tica e/ou "fé-cega" estão sujeitas a severas crí­ticas.

Análises estatí­sticas devem ser feitas com seriedade e isenção, analisando tantos apectos quanto possíveis dos números em questão. Em contraposição à famosa frase do Disraele, há outra muito melhor: É fácil mentir com estatí­stica, difí­cil é dizer a verdade sem ela.

Seu artigo desagradou profissionais e docentes da área estatí­stica e seria muito ético de sua parte retratar-se publicamente se a sua intenção não foi criticar o profissional da Estatí­stica de forma generalizada.

Atenciosamente,

Doris Satie Maruyama Fontes
Estatí­stico CONRE n_o 7386-A
Coordenadora Geral
CONRE-3 - Conselho Regional de Estatí­stica da 3ª Região

info@conre3.org.br
www.conre3.org.br

PARTICPE DO FÓRUM ESTATÍSTICO: http://www.conre3.org.br/forum




______________________________________________________________________________________________________
Biography: http://www.lomborg.com/about/biography/

Bjørn Lomborg was born January 6, 1965.
M.A. in political science, 1991.
Ph.D. at the Department of Political Science, University of Copenhagen. 1994.
Assistant professor at the Department of Political Science, University of Aarhus, 1994-1996.
Associate professor at the same place, 1997-2005.
Director of Denmark's national Environmental Assessment Institute, February 2002-July 2004.
Organizer of the Copenhagen Consensus prioritizing the best opportunities to the world's big challenges, May 2004.
Adjunct professor at the Copenhagen Business School 2005-present.
Director for the Copenhagen Consensus Center 2006-present.





Editado pela última vez por DSFontes em Dom Abr 11, 2010 12:32 pm, num total de 1 vezes
Doris S M Fontes
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Dirigir e falar ao celular: sinal de perigo

Mensagempor DSFontes » Ter Abr 07, 2009 12:43 pm

Há um artigo mencionado por um estatí­stico na lista do StatMath do Yahoogroups falando sobre acidentes causados pelo mau uso do celular pelo motorista enquanto está dirigindo. O estatí­stico aponta a salada mista que faz o jornalista quando menciona os números de multas aplicadas pelas autoridades de trânsito em diversos estados, sobretudo quando cita lugares como São Paulo ou Rio de Janeiro, cujas capitais têm o mesmo nome que seus estados.

De fato, é preciso tomar muito cuidado ao mencionar os nomes dos lugares, principalmente quando pode causar confusões com estas, e, além disso, levar em conta que grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro têm uma quantidade de veí­culos enorme. Talvez fosse interessante citar a proporção de multas por uso indevido de celular em relação ao total de veí­culos em circulação. Será que nós, paulistanos, desrespeitamos mais as leis que os cariocas, ou mineiros?

Vejam o artigo:

Você está em: Especialistas

Dirigir e falar ao celular: sinal de perigo

Entenda o que pode ser causado pela combinação das duas ações

No iní­cio deste ano, as agências internacionais de notí­cia do mundo todo deram destaque ao caso da britânica Philippa Curtis, de 21 anos, que foi condenada a 21 meses de prisão por ter provocado um acidente em que morreu Victoria McBryde, de 24. O celular de Curtis mostra que ela enviou 20 torpedos antes de bater na traseira do carro da ví­tima, segundo reportagem do jornal inglês "Daily Mail".

Desde dezembro de 2007, usar celular ao volante pode dar cadeia na Inglaterra. A regra anterior era similar à brasileira, mas as autoridades perceberam que as punições eram insuficientes para desencorajar motoristas a usar o celular enquanto dirigiam. Agora, quem insistir na prática pode ser condenado a pelo menos dois anos de prisão. A nova regulamentação também estabelece que a promotoria pode condenar os infratores por homicí­dio culposo e punir os motoristas com a pena máxima prevista pelo paí­s, a prisão perpétua, caso seja confirmado que o veí­culo foi usado como uma arma.

Dentre os muitos inconvenientes sociais causados pela má utilização do celular, os perigos do uso do aparelho no trânsito das grandes cidades preocupam autoridades no mundo todo. No Brasil, multa de R$ 85 e quatro pontos na carteira de habilitação são as punições descritas no Código de Trânsito Brasileiro, que classifica como infração média o ato de dirigir com apenas uma das mãos ou falando ao celular. Fones de ouvido ou viva-voz também são proibidos.

Com o celular no ouvido, o motorista reage de forma mais lenta. Dificilmente olha para o retrovisor, assume uma trajetória errática na via, reduz ou ultrapassa a velocidade compatível com o tráfego. Avança o sinal, tem dificuldade para trocar marchas e simplesmente não vê as placas de sinalização no trânsito. Cada uma dessas situações já poderia desencadear um acidente. Agora imagine o potencial de estrago da combinação delas...

Mesmo sabendo que se trata de uma infração, os motoristas insistem em atender ao telefone por acreditar que isso não é nada de mais e vão desligar logo. A atitude pode mudar quando as pessoas reconhecerem que o que está em jogo é a vida delas e as de outras pessoas. Só a maior fiscalização pode modificar um mau hábito social, mas no âmbito individual, impõe-se uma mudança cultural para que a ansiedade em se comunicar não se sobreponha à própria sobrevivência e à segurança de terceiros.

Números da infração

- Somente em São Paulo foram feitas 237 mil autuações de motoristas falando ao celular em 2007, a quarta infração de trânsito na capital naquele ano;

- No Rio de Janeiro, o número de multas aplicadas a motoristas que falam ao celular enquanto dirigem chegou a 9 mil na cidade do Rio de Janeiro, segundo informações de um estudo realizado pelo Detran. Ao analisar os seis primeiros meses de 2008, as infrações deste tipo atingem 45 mil, contra 39 mil registradas no mesmo período do ano passado;

- Exceder a velocidade, avançar no sinal vermelho e na parada obrigatória e dirigir utilizando telefone celular foram as principais infrações cometidas, respectivamente, no trânsito de Goiânia, em 2007 e 2008;

- No Mato Grosso do Sul, o Detran registrou, em 2008, cerca de 83.575 infrações de trânsito que resultaram em multas. Apenas em infrações como não usar o cinto de segurança ou o capacete foram quase 1.800 multas durante o ano. A infração com o número mais surpreendente é a de uso de celular no trânsito, quase 9.600 pessoas foram multadas;

- Em 2008, dirigir ao celular rendeu multa a 21.724 condutores de veí­culos em Fortaleza;

- Os motoristas de Belo Horizonte nunca foram tão multados. No ano passado, a BHTrans emitiu nada menos que 640,9 mil autuações na capital, número 32% superior ao de 2007. No ranking das sete infrações mais cometidas, acelerar até 20% a mais que o permitido é a lí­der. Em seguida, estão estacionar em desacordo com a sinalização e dirigir com fones ou celular aos ouvidos.

FONTES: Detrans dos estados mencionados.

Onde mora o perigo?

Ao atender o celular em quanto dirige, o motorista está usando a audição e não a atenção dirigida para guiar o carro. Dizer que é fácil fazer as duas coisas ao mesmo tempo não é verdade: o cérebro precisa fazer contas, calcular ações e desviar a atenção do controle visual e motor para o auditivo. As reações ficam mais lentas e isso propicia a ocorrência de acidentes. A audição é decodificada em uma área no cérebro e a visão, em outra. Ou seja, ele faz duas coisas quando deveria fazer uma só.

O celular tocando desvia a atenção de quem está guiando e dá iní­cio ao procedimento de risco: a primeira ação do motorista quando o aparelho toca é procurá-lo. Para atender, será necessário o uso de uma das mãos. Se for colocado no ouvido, haverá restrição do campo visual.

Se telefone e direção já formam uma combinação de risco, digitar uma mensagem ao celular potencializa o perigo. Quem tenta fazer isso tem que tirar as mãos do volante, se concentrar em um teclado minúsculo e ainda pensar na elaboração dos textos.

Recomendações importantes para conquistarmos um trânsito mais civilizado

1) A melhor e mais eficaz recomendação é desligar o celular ao assumir o volante. Quando se guia um automóvel, entre 90% e 95% das informações necessárias para administrar riscos estão relacionadas à visão. Ao desviar o olhar para atender o celular ou tocar o visor do aparelho, o motorista inicia um vôo cego. O celular distrai tanto que dificilmente o motorista consegue se lembrar do que aconteceu no trânsito, às vezes, esquece até por onde passou enquanto estava telefonando;

2) Caso você não possa desligar o celular, nunca faça ligações enquanto estiver dirigindo. Ao receber uma ligação enquanto estiver no volante, o mais prudente é estacionar, "resolver o problema telefônico" e em seguida continuar o seu caminho. Parar o carro em um local seguro, atender ao telefone e em seguida concentrar-se novamente na direção... Esta é a nossa recomendação;

3) Por fim, se você estiver acompanhando de menores crianças e adolescentes não atenda ao telefone. Não esqueça que a sua conduta serve como exemplo e modelo. Não perca esta chance de educar.

Virgilio Centurion é oftalmologista e diretor do IMO - Instituto de Moléstias Oculares.

Para saber mais, acesse: www.imo.com.br



LINK PARA O TEXTO ORIGINAL: http://yahoo.minhavida.com.br/materias/ ... +perigo.mv
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Mensagempor DSFontes » Qua Mai 20, 2009 11:33 am

No jornal FOLHA DE S.PAULO de domingo (17/maio/2009) há um artigo intitulado Folha tem a melhor imagem nas classes A e B de São Paulo, comparando a F.S.PAULO com o ESTADÃO, recomendado à Research International.

Não vejo nada de errado em comparar os dois jornais, no entanto, fico pensando se já não há um viés inicial ao amostrar um grupo contendo 38% de leitores da FSP, 24% do Estadão e 24% que, aparentemente, não leem jornal impresso (estou deduzindo, já que a reportagem diz que 76% disseram ler algum jornal impresso.

Posso estar muito enganada, mas a escolha de um jornal para ler diariamente é, obviamente, muito pessoal e leva-se em conta todos os quesitos analisados pelo instituto como imparcialidade, independência, realista, beleza, inovação, utilidade, abrangência, pessimismo ou afinidade com o leitor.

Para afirmar que a FSP é realmente muito melhor que o Estadão, da amostra geral (750 pessoas), eu esperaria que mais do que 38% avaliassem bem o jornal (todos os leitores declarados da FSP + alguns outros, seja do Estadão ou não). Mas não é isso que acontece.

Na melhor perfomance da FSP, 38% dizem que ela é a mais completa, enquanto 33% dizem que é o Estadão.

Quando comparados os resultados apenas de leitores da FSP e Estadão (61% leitores da FSP e 39% Estadão), alguns resultados são muito interesantes:

- Os jornais empatam em Imparcialidade = 25% entre ambos os leitores.

- 17% dizem que a FSP é mais pessimista que o Estadão (16%)

- Mais retrata a realidade como ela é: 35% Estadão, contra 34% FSP.

- Mais completo: 49% FSP, contra 45% Estadão.

(obs: claro que alguns percentuais parecem estatistiticamente iguais)

Lembro-me bem de um comentário feito pelo Prof. Bussab sobre amostragem que, ao meu ver, retrata um pouco do que eu li nesta reportagem da FSP: se você tirar uma amostra somente dentre os eleitores do PT e o candidato do partido estiver mal posicionado, pode afirmar que aquele candidato não vai ganhar a eleição... (considerando o PT um partido com significante quantidade de eleitores, claro).

Assim, se numa amostra com 39% de leitores do Estadão, há 49% que diz que o Estadão é o jornal mais completo, diria que essa opinião certamente não é unânime dentre os leitores da FSP.

Segue abaixo o corpo da reportagem:

Folha tem a melhor imagem nas classes A e B de São Paulo

Pesquisa mostra que jornal é citado pela maioria como o mais completo, mais influente, mais bonito e mais fácil de ler

Levantamento da Research International mostra que a cobertura jornalí­stica da Folha é avaliada como melhor do que a do "Estado"

DA REPORTAGEM LOCAL

Entre os integrantes das classes A e B da Grande São Paulo, a Folha é citada como o jornal mais completo, mais influente, mais bonito e mais fácil de ler. É vista também, por pessoas que pertencem a esse grupo, como mais inovadora, mais completa e veí­culo de informações mais úteis para o dia a dia dos leitores.

Os dados acima fazem parte de uma pesquisa realizada sob encomenda da Folha pela Research International, uma das mais importantes e respeitadas consultorias do mundo.

O universo do levantamento é a população das classes A e B da Grande São Paulo, considerando pessoas com 15 anos ou mais. Para definir essas classes foram utilizados os critérios aceitos e adotados no Brasil pelos institutos e agências de publicidade, com base no grau de instrução do chefe de família e posse de itens como aparelho de TV e automóvel de passeio.

Somadas, as classes A e B representam 39% da população da região metropolitana da capital paulista.

Do total de entrevistados pela consultoria (750), 76% disseram ler algum jornal impresso. A Folha é lida por 38%, enquanto 24% leem o "Estado de S. Paulo".

Convidados a dar sua opinião, "mesmo que apenas de ouvir falar", sobre uma série de tópicos relativos à qualidade dos veí­culos, os entrevistados conferem ampla vantagem à Folha. "A avaliação da imagem da Folha nas classes A e B nunca foi tão positiva", afirma Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, que realizou pesquisa semelhante em 2003. "De lá para cá, vários aspectos mudaram favoravelmente para o jornal", diz.

A cobertura da Folha é vista como melhor do que a do "Estado" em praticamente todas as áreas, com destaque para cultura, comportamento, ciência e saúde. A Folha também aparece em vantagem nas citações feitas pelos entrevistados que leem os dois jornais.

Internet

Em relação a outros meios de informação, a pesquisa detectou previsível ascensão da internet, considerada mais importante para obter informação do que a TV aberta.

De acordo com Mauro Paulino, na pesquisa anterior, a TV aberta era o meio mais citado. Nesse contexto, a Folha, mais uma vez, aparece bem: 22% dos integrantes das classes A e B afirmam ler notí­cias geradas pelo jornal na web, enquanto 12% dizem o mesmo em relação ao "Estado".

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Mensagempor Hajime » Seg Mai 25, 2009 5:13 pm

Eu acho q esse webcomic e' um bom motivo para um jornalista ter uma boa nocao sobre metodologia cientifica, em particular conhecimentos basicos de estatistica.

http://www.phdcomics.com/comics.php?n=1174
"Computers are like air conditioners, they stop working properly whenever you open windows"
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Mensagempor DSFontes » Sex Ago 14, 2009 2:21 pm

O estatí­stico Marcos Vincenzi (que também é um dos coordenadores do CONRE-3) enviou um comentário sobre um artigo que saiu hoje na Folha-UOL e pergunta:

"A reportagem fala que 56,2% dos consumidores paulistanos têm atraso até 90 dias e 43,8% deles têm atraso acima de 90 dias... quer dizer que 100% é inadimplente?

Enviei um pedido de correção no site... "


13/08/2009 - 08h47

Em julho, 56,22% dos consumidores ficaram inadimplentes por até 90 dias

INFOMONEY

SÃO PAULO - No mês de julho, 56,22% dos consumidores ficaram inadimplentes por até 90 dias, segundo revela o indicador da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e do SPC Brasil, divulgado nesta quarta-feira (12).

No total, 20,47% das pessoas ficaram inadimplentes por até 13 dias e outros 17% por um período de até 30 dias, enquanto 11,89% e 6,86% demoraram até 60 e 90 dias para quitar seus débitos, respectivamente.

O levantamento também mostrou que 43,78% dos consumidores tinham entre 90 dias e cinco anos de inadimplência. Foram 10,24% com até 180 dias de contas em atraso e 8,08% por até 360 dias. Já 8,58% dos consumidores ficaram até dois anos inadimplentes; 5,48% até 3 anos; 8,93% até 4 anos; 2,05% até 5 anos; e 0,42% passaram desse prazo e prescreveram.

Faixa etária

O indicador também revelou que os consumidores entre 30 e 39 anos lideraram os registros de inadimplentes no SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), com 27,58% das inclusões.

Em seguida, ficaram os clientes com idade de 40 a 49 anos (21,50%), de 50 a 64 (15,18%), de 25 a 29 (14,76%) e de 18 a 24 anos (14,18%).

As pessoas com idade acima de 65 anos tiveram o menor percentual de registros, de
5,34%.

No confronto por gênero, as mulheres foram responsáveis por 54,98% das inclusões, enquanto os homens responderam por 45,02%.

Cancelamentos

Se as mulheres foram responsáveis pela maior parte das inclusões no SPC no sétimo mês do ano, foram elas também que tiveram, no período, o maior número de registros cancelados, que acontece depois de quitada a dívida, com 57,08%, contra 42,92% deles.

Por faixa etária, o maior volume de regularização dos débitos foi novamente dos consumidores com idade de 30 a 39 anos, com 28,39% dos cancelamentos.

As outras faixas de idade, por sua vez, ficaram da seguinte forma: de 40 a 49 anos, com 21,92% dos cancelamentos, de 50 a 64 anos, com 15,74%, de 25 a 29 anos, com 15,16%, de 18 a 24 anos, com 12,29%, e acima de 65 anos, com 5,61%.

No mês de julho, o volume de consumidores inadimplentes incluí­dos no SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) diminuiu 13,73%, em relação ao mesmo período do ano passado.

Já o percentual de cancelamentos, na mesma base de comparação, foi 12,69% menor.



LINK PARA O ARTIGO ORIGINAL: http://economia.uol.com.br/ultnot/infom ... 21231.jhtm

O que eu acho que aconteceu é que eles estavam analisando somente inadimplentes, ou seja, dentre os inadimplentes foi verificado isso que publicaram. Se foi isso que aconteceu, faltou dizer qual o % de inadimplentes e ver o que representa isso no universo de consumidores!

É isso aí­!



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Mensagempor Hajime » Qui Ago 20, 2009 11:48 am

Doris escreveu:O que eu acho que aconteceu é que eles estavam analisando somente inadimplentes, ou seja, dentre os inadimplentes foi verificado isso que publicaram. Se foi isso que aconteceu, faltou dizer qual o % de inadimplentes e ver o que representa isso no universo de consumidores!


So' pode ser, a pessoa q publicou o artigou nao se deu o trabalho de conferir. Talvez ate' conferiu se a soma dava 100%, mas nao notou q no contexto o texto nao faz sentido.
"Computers are like air conditioners, they stop working properly whenever you open windows"
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Mensagempor DSFontes » Qua Dez 30, 2009 3:54 pm

Acho que publicitários também precisam entender mais estatí­stica. Vejam o novo anúncio da cerveja KAISER que mostra uma pesquisa (teste cego) realizada pela DataFolha:

"Para realizar a propaganda, criada pela agência Fischer+Fala!, a Kaiser utilizou uma pesquisa realizado pelo Datafolha com 2.560 consumidores de cerveja em nove capitais (São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza e Manais) durante a primeira quinzena de outubro.

Nela, a Kaiser foi escolhida a melhor por 20,1% dos entrevistados, contra 19,8% da Skol, 19,7% da Brahma, 19,4% da Antarctica e 18,6% da Nova Schin. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para cima ou para baixo."

Imagem

Mesmo que a Kaiser tenha realmente aparecido com um percentual pouco maior, o "gráfico" é lamentável já que as distâncias entre as diferenças são iguais (não importa se a diferença entre as cervejas foi de 0,1 ou 0,3). Além disso, a garrafa da Kaiser é mais alta e mais larga, dando a impressão de que a diferença é realmente muito mais significativa do que é --- apesar de afirmarem que houve um "empate técnico".

Lies, damn lies and statisticis, really!



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Mensagempor DSFontes » Dom Jan 24, 2010 1:31 pm

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Mensagempor DSFontes » Seg Mar 01, 2010 1:20 pm

Eis um blog interessante que mostra algumas reportagens absurdas --- na verdade, baseadas em pesquisas absurdas --- usando estatí­sticas:

http://jsdstat.com/Statblog/



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Mensagempor DSFontes » Dom Abr 04, 2010 1:23 am

O jornal A FOLHA DE S.PAULO de ontem (03 de abril de 2010) publicou uma reportagem sobre Crença em Deus vs Darwinismo e conclui que parte dos que acreditam em Deus também acreditam em Darwin.

Um em cada 4 brasileiros crê em Adão e Eva
Para 59%, ser humano é resultado de uma evolução guiada por Deus; somente 8% não acreditam em interferência divina

As informações obtidas pela pesquisa realizada no Brasil contrastam com as colhidas nos EUA, mas se aproximam dos resultados na Europa

HÉLIO SCHWARTSMAN
DA EQUIPE DE ARTICULISTAS


Um de cada quatro brasileiros acredita em algo parecido com o mito de Adão e Eva. Para eles, o homem foi criado por Deus há menos de 10 mil anos. Esse dado consta da primeira pesquisa Datafolha que investigou as convicções da população sobre a origem e o desenvolvimento da espécie humana.

A maioria das pessoas crê em Deus e Darwin. Para 59%, o ser humano é o resultado de milhões de anos de evolução, mas em processo guiado por um ente supremo. Apenas 8% consideram que a evolução ocorre sem interferência divina.

A crença no mito de Adão e Eva despenca à medida que aumentam renda e escolaridade. Quando se acrescentam dinheiro e instrução, a proporção dos darwinistas puros mais do que dobra do menor para o maior estrato. Entre os que acatam a evolução sob gerência divina, o aumento é mais modesto: fica entre 15% (renda) e 20% (escolaridade).

O Datafolha ouviu 4.158 pessoas com mais de 16 anos. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais.

Os 25% de criacionistas da Terra jovem (que atribuem menos de 10 mil anos a nosso planeta de 4,6 bilhões de anos) surpreendem porque o fundamentalismo bíblico, em que as Escrituras são interpretadas literalmente, não faz parte das tradições religiosas do Brasil.

A Igreja Católica, ainda a mais influente no paí­s, jamais condenou a evolução. Pelo contrário até, o Vaticano vem já há algumas décadas flertando discretamente com o autor de "Origem das Espécies".

Em 1950, o papa Pio 12, na encí­clica "Humani generis", classificou o darwinismo como "hipótese séria" e afirmou que a igreja não deveria rejeitá-la, embora tenha advertido para o mau uso que os comunistas poderiam fazer dessa teoria. Em 1996 foi a vez de João Paulo 2_o declarar que a evolução era "mais do que uma hipótese".

Também entre evangélicos, a literalidade do Gênesis, o livro da Bíblia que relata a criação do mundo e do homem, está longe de unânime. Na verdade, só algumas poucas denominações como adventistas e Testemunhas de Jeová pregam abertamente contra a evolução.

Boa parte das demais se limita a apontar "problemas" no neodarwinismo, tentando reservar algum espaço para Deus, que pode ter papel mais ou menos ativo. Ele pode ser desde o demiurgo, que se limitou a criar o mundo com todas as suas leis (incluindo a seleção natural), e retirou-se até o "Deus ex machina" que interfere o tempo todo, projetando bichos, atendendo a preces etc.

Em tese, qualquer uma dessas posições se encaixa na afirmação de que Deus e evolução atuam juntos. Ela funciona como um guarda-sol que abriga desde católicos estritos a deí­stas, passando por entusiastas do "design inteligente", que nada mais é do que criacionismo com pretensões científicas.

Teologia intuitiva
Como os adeptos de religiões que defendem a literalidade do Gênesis não chegam nem perto de 25% da população, é forçoso reconhecer que
a boa parte das pessoas que abraçaram a hipótese de Adão e Eva o fez seguindo suas próprias intuições, sem prestar muita atenção ao que afirmam suas respectivas lideranças espirituais.

Essa impressão é reforçada quando se considera que a adesão ao criacionismo bíblico se distribui de forma generosa entre todos os credos. Umbandistas (33%) e evangélicos pentecostais (30%) ficam um pouco acima da média nacional, mas católicos comparecem com 24% e evangélicos não pentecostais, com 25%.

Outros paí­ses
Uma nota curiosa vai para os que se declaram ateus. Entre eles, 7% também se classificam como criacionistas da Terra jovem e 23% como partidários da evolução comandada por Deus.

Os resultados obtidos no Brasil contrastam com os colhidos nos EUA, mas se aproximam com os de nações europeias. Entre os norte-americanos, a proporção de criacionistas bíblicos chega a 44%. Os evolucionistas com Deus são 36%, e os neodarwinistas puros, 14%. Esses números foram apurados em 2008 pelo Gallup, numa pesquisa que vem sendo aplicada naquele paí­s desde 1982 e que serviu de modelo para a sondagem do Datafolha.

Em relação à Europa, o Brasil se encontra mais ou menos na média. De acordo com uma pesquisa de 2005 do Eurobarômetro, que aferiu o número de pessoas que rejeita a evolução, os criacionistas por ali variam de 7% (Islândia) a 51% (na islâmica Turquia), com a maioria dos paí­ses apresentando algum número na casa dos 20%.




No último trecho da reportagem, diz que uma nota curiosa vai para os que se declaram ateus. Entre eles, 7% também se classificam como criacionistas da Terra jovem e 23% como partidários da evolução comandada por Deus.

Sinceramente, acho que isso não é uma "nota curiosa". Como é que alguém pode dizer que "não acredita em Deus" e depois dizer que acredita em "Adão e Eva", ou que houve uma "evolução comandada por Deus"? Isso tem cara de inconsistência dos dados, ou simplesmente que as pessoas não sabem o que estão respondendo!

Uma outra falha, ao meu ver, é a falta da informação da distribuição da amostra com relação à religião. Imagine se 80% da população se declarasse Ateu e, destes, 7% acreditassem em Adão e Eva??!

Reproduzo abaixo também uma análise do professor Eduardo Cruz (Puc-SP) publicada na mesma página da reportagem acima:

Associar ciência e ateí­smo só traz prejuí­zos
EDUARDO CRUZ
ESPECIAL PARA A FOLHA


Estatí­sticos e cientistas concordam que dados obtidos por levantamentos como este podem trazer muitas mensagens diferentes. Veja-se o curioso dado de que a proporção de respostas entre as três opções é mais ou menos a mesma, independente do grupo religioso.

Pode parecer muito estranho, pois a maioria dos lí­deres católicos escolheria a alternativa A, enquanto a maioria dos evangélicos defenderia a B ("criacionista"). Acontece que há muitos estudos de ciência da religião que procuram explicar a "incorreção teológica" dos fieis, apesar de muitas vezes a doutrinação ser maciça.

No caso brasileiro também temos grande facilidade para a mobilidade religiosa e a dupla pertença. O que pode se supor é que o grosso da população brasileira forme suas opiniões não nos jornais, nos cultos ou na escola, mas a partir de uma vaga consciência cristã-católica tradicional que ainda pervade nossas mentes. Valeria o mesmo para os ateus? É claro! Se fosse pelos lí­deres, tipo Richard Dawkins, poderia se esperar que 100% das respostas seriam C. Só 56% o indicaram. "Incorreção ateia"? Bem provável.

Talvez o aspecto mais importante seja uma tentação que assola crí­ticos do criacionismo: partindo dos dados, que indicam que pessoas de maior escolaridade tendem a escolher menos a alternativa criacionista, assume-se que esta esteja ligada à ignorância e à superstição, enquanto a teoria da evolução "ateia" estaria ligada à racionalidade científica. Mesmo depois de bater nesta tecla durante décadas, a comunidade acadêmica americana viu crescer o número de adeptos de uma criação recente. A história de tal paradoxo é muito grande para ser contada aqui, portanto, oferecemos três rápidas considerações:

1_o) os lí­deres criacionistas são em geral pessoas com alta escolaridade;

2_o) Muito do ensino de ciências no ensino médio é ainda algo doutrinário;

3_o) Temos o testemunho de Marcelo Gleiser, que sugere que a associação da cultura científica com o ateí­smo só traz prejuí­zo à ciência e aliena pessoas religiosas que poderiam ser aliadas numa defesa sustentada da evolução darwiniana.

EDUARDO R. CRUZ é professor titular do Departamento de Ciências da Religião da PUC-SP




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