TENDA ESTATÍSTICA – SBPC 2018 – UFAL/Maceió

70ª REUNIÃO ANUAL DA SBPC – UFAL – MACEIÓ – 22-28 Julho 2018

A vice-presidente do CONRE-3, Doris Fontes, participou, a convite da Profa Lisbeth Cordani, da SBPC, da 70ª Reunião Anual da SBPC que aconteceu na UFAL, em Maceió, de 22 a 28 de julho de 2018.

As atividades começaram no domingo, dia 22, pela manhã, com um treinamento aos monitores da UFAL que nos ajudaram na TENDA ESTATÍSTICA. Foram 14 Licenciandos em Matemáticas, sob a coordenação da Profa Viviane Oliveira, dois alunos da Ciência da Computação e um da Engenharia da Computação, indicados pelo Prof. Alejandro Frery, ambos da UFAL.

Nos dias que se seguiram, a TENDA iniciou suas atividades às 8h30, fechando para almoço às 11h30 e recomeçando às 13h30 até às 16h30. Foram dias intensos, atendendo a milhares de estudantes e visitantes, explicando como podemos usar a estatística no dia a dia.

Os visitantes mostraram-se muito receptivos, curiosos e, sobretudo, surpresos com as muitas possibilidades de uso da estatística na sociedade.

Os monitores atuaram com muita garra, pró-atividade e muito sintonizados conosco e entre eles.

A TENDA ESTATÍSTICA foi organizada a fim de desenvolver atividades simples, tipo mão na massa, que pudesse ser usadas para instigar a curiosidade do visitante e perceber a lógica por trás das probabilidades, contagens, funções e conceitos estatísticos. 

Montamos as mesas num formato de seis estações:

 

ESTAÇÃO 1 – Medidas do Palmo da Mão Direita

A idéia é medir o palmo da mão direita dos visitantes de 15 anos ou mais e pedir que eles mesmos posicionem um sticker redondo num grande dotplot (banner) do estande. Em Maceió, passaram pela nossa TENDA 1997 pessoas que agora fazem parte de nosso banco de dados. Essa atividade permite que os participantes comecem a pensar sobre as características mais comuns dos palmos das várias mãos medidas. Perguntamos, por exemplo: em geral, quem tem a mão maior, as mulheres ou os homens?; como fazer a leitura de um gráfico tipo dotplot?; como podemos usar esse tipo de informação no nosso dia a dia?; existe alguma regularidade nas medidas?; como identicamos a dispersão dos dados? Em seguida, introduzimos perguntas do tipo: E se você quiser abrir uma fábrica de luvas? A reação de todos, inclusive de crianças, é imediata: "ah, agora já sei para que serve a estatística!". Além do exemplo de uma possível "fábrica de luva", apresentamos outros casos onde esse tipo de distribuição – ou curva gaussiana, curva normal – pode ser aplicada, para a surpresa e encantamento dos visitantes. Um dos exemplos que faz muito sucesso é a da Curva de Crescimento de Meninos e Meninas de 2 a 20 anos, que bem conhecida por todos, mas pouco compreendida. Mostramos também todos os dotplots anteriores resultantes de Reuniões Anuais ou Regionais da SBPC, ou outros eventos dos quais participamos. Apresentamos aqui o gráfico que mostra o resultado final das medidas feitas em Maceió. As crianças de até 14 anos também tiveram oportunidade de participar num banner próprio. 

Além da atividade estatística em si, é interessante estimular o participante a medir, com uma régua, o seu próprio palmo: pode-se medir pelas marcas anotadas num tábua tipo quadro branco, ou num papel, ou diretamente numa régua — sempre tomando o cuidado para medir corretamente e solicitando para estender o palmo da mão ao máximo. Muitas pessoas nunca haviam tido a experiência de medir alguma coisa e têm dificuldades para usar uma régua. Um novo aprendizado para eles.

 

 

ESTAÇÃO 2 – Passeio Aleatório

 Com o objetivo de estimular o visitante a pensar em qual das cinco casinhas um visitante poderá chegar, partindo da Saída e caminhando pelas arestas cujos lados são escolhidos por quatro lances de uma moeda: ao cair CARA, caminha um passo para a esqueda, ao cair COROA, caminha um passo para a direita. Os visitantes escolhem a casa em que querem morar, enquanto o monitor (ou mesmo um outro participante) irá fazer um Passeio Aleatório até a casa de alguém. Quem receberá a visita? Quando alguém escolhe uma casa das pontas, pedimos para pensar em quais circuntâncias o visitante poderia chegar até a casa dele. Interessante notar que as crianças conseguem perceber com mais rapidez a dificuldade para tirar quatro caras seguida, ou quatro coroas seguidas.

Nessa atividade, para estudantes do ensino médio, já começamos a introduzir o Triângulo de Pascal. Muitos já viram como se monta um Triângulo de Pascal, mas nunca pensaram em como esses números mágicos aparecem. Então, a partir de quatro lances de uma moeda honesta, podemos ter uma ideia das casas mais prováveis para serem visitados e quais as mais difíceis.

É necessário, no entanto, tomar cuidado com o lançamento da moeda para se garantir minimamente a aleatoriedade. Optamos por jogar a moeda num frasco de plástico, chacoalhar vigorosamente e deixá-la cair sobre a mesa para ver a face. Os lances dos visitantes tendem a não flipar as moedas, o que gera uma quantidade irregular de muitas caras, ou muitas coroas, seguidas.

 

 

ESTAÇÃO 3 – Tábua de Galton

Nesta estação, antes de mostrar as bolinhas caindo pelos pinos, pedimos aos visitantes que tentem advinhar qual seria o formato no final da descida das bolinhas: será que ficará como uma letra "U", uma "curva de boca para baixo", uniformente distribuída, ou não têm a menor ideia. Quando a tábua é girada, os visitantes percebem que o padrão de uma "curva de boca para baixo" é constante. Nesse momento, é instigado a pensar na analogia dos caminhos das bolinhas com o caminho do visitante no Passeio Aleatório da Estação 2. Novamente, o Triângulo de Pascal é mostrado para mostrar como calculamos as chances das bolinhas chegarem a cada uma das canaletas da tábua de Galton. Passamos de um Passeio Aleatório de quatro passos para um de 10 passos. Discutimos um pouco o formato da curva e pedimos para compará-la com o formato que o dotplot do Palmo da Mão Direita da Estação 1 está ganhando.

 

 

 

 

 

 

 

ESTAÇÃO 4 – Medidas

O objetivo desta estação é introduzir os conceitos de Média, Mediana, Moda e Amplitude como medidas de posição, de forma muito lúdica e prazeirosa. Apesar de ser uma brincadeira que envolve contas para calcular a Média e a Amplitude, notamos que há um grande interesse dos visitantes pela atividade, por vezes, havendo filas esperando uma chance de participar. Outros voltam ao estande trazendo seus amigos para poderem participar novamente. O cálculo é feito com cartas de baralhos, selecionadas de A a 7 (para facilitar as contas). Cada participantes recebe uma breve explicação de como se calcula cada uma das medidas do jogo. Em seguida, cada um recebe cinco cartas aleatórias que deverão usar para calcular as medidas. No final, sorteia-se aleatoriamente uma das medidas e ganha quem tiver a maior média/mediana/moda ou a menor amplitude. Para alunos do ensino médio ou adultos visitantes, exploramos a diferença entre média e mediana em diversas situações para pensarem sobre as vantagens e desvantagens no uso de uma ou outra medida estatística.

 

 

ESTAÇÃO 5 – Pesquisa Eleitoral

A grande maioria dos estudantes de Ensino Médio e dos adultos visitantes já ouviu falar de Margem de Erros em Pesquisas Eleitorais, mas poucos sabem de fato a origem desse termo e como interpretá-la. A ideia é usar bolinhas brancas e vermelhas, colocadas num saquinho na proporção de 1/3 de brancas e 2/3 de vermelhas, e estimular o visitante a retirar duas amostras aleatoriamente: uma de tamanho 10 e outra de tamanho 50, em pás de madeiras contendo pequenos sulcos que acomodarão as bolinhas e facilitarão as contagens. Nesse momento, temos o cuidado de fazer as analogias com uma população (de uma pequena cidade, por exemplo) e que a simulação equivale a entrevistar 10 ou 50 pessoas aleatoriamente, perguntando em quem votarão. Para cada amostra, os visitantes devem contar as bolinhas brancas, preferencialmente tendo alguém para conferir a contagem, e calcular a porcentagem de bolinhas brancas. Os resultados são anotados num painel que mostrará, claramente, a concentração ou dispersão dos resultados em torno da verdadeira proporção, segundo o tamanho da amostra. Exploramos a noção de margem de erro analisando os dados empíricos obtidos dessas amostras e fazemos a analogia com as pesquisas eleitorais reais.

 

ESTAÇÃO 6 – Monty Hall

Inspirada num famoso show da TV americana dos anos 60, chamado Let's Make a Deal ("vamos fazer um negócio"), de um apresentador chamado Monty Hall – que acabou virando o nome do próprio jogo. No show de TV, três portas fechadas eram mostradas sendo que atrás de duas havia bodes e restante, um carro. Depois que o participante escolhia uma porta, o apresentador, que sabe em que porta está o prêmio, abre uma das portas NÃO premiada. Nesse momento, o apresentador pergunta ao participante se deseja trocar de porta ou se prefere permanecer com a já escolhida. De forma semelhante, na Tenda Estatística a brincadeira acontece com três cartas contendo dois bodes e um carro. A posição onde o carro vai ficar é escolhida aleatoriamente pelo monitor usando um dado (colamos adesivos remarcando os lados do dado para apenas 1, 2 e 3 para facilitar). É muito importante que a posição do carro seja aleatorizado pelo lançamento do dado para que o visitante não tente advinhar o que o monitor vai fazer. Uma vez organizadas as cartas viradas para baixo, o monitor pede para o visitante colocar um botão sobre a carta que ele julga ser do carro. Logo em seguida, o monitor avisa que ele vai revelar uma das cartas que não é do carro. Mostra um bode e pergunta se o visitante quer trocar de carta ou se prefere manter a originalmente escolhida. Na Tenda Estatística da UFAL repetiu-se o que vimos em eventos anteriores: a grande maioria dos participantes não quer trocar de carta, por supertição, por não acreditar que a troca faça diferença, por desconfiar que há algum truque escondido. Dos 629 visitantes dessa estação, 82% (517) não quiseram trocar de carta. Destes, apenas 43% acertaram a carta com o carro. Dos 18% (112) que TROCARAM, 77% acertaram, contra 23% que erraram. Como em todos os eventos, os participantes acreditam que, uma vez revelada uma das cartas com o bode, a chance de ganhar se equilibra em 50% entre as duas cartas restantes. A brincadeira é contraintuitiva, já que a troca aumenta a chance de acertar a carta com o carro para 2/3. 

 

MATERIAIS DISPONÍVEIS

A maioria dos materiais utilizados nessa tenda são de fácil confecção e podem ser improvisados com que tiver disponível. Algumas matrizes, exemplos e materiais de apoio estão disponíveis aqui.

 

 

FOTOS DO EVENTO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 


 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para quem tiver interesse em ver as demais fotos, poderá fazê-lo na página do CONRE-3 no facebook aqui.

Agradecemos essa oportunidade ímpar de fazer parte de um evento de tamanha importância e por poder levar ao público um pouco do que é o nosso mundo estatístico e suas belezas.

(c) todas as fotos são de Doris Fontes